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Publicado em 26/03/2014 ás14:30
Em entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira (26), o delegado regional de Polícia Civil em Joaçaba, Ademir Tadeu de Oliveira, revelou como as autoridades chegaram ao empresário preso pela terceira vez acusado de pedofilia, e como ele agia na cidade.
“Nas últimas semanas percebemos que ele estava transportando adolescentes até o município de Luzerna onde procurava uma determinada farmácia para medicá-los. A partir da medicação, desconfiamos de uma doença infectocontagiosa e descobrimos os laboratórios que atendiam os funcionários da empresa de xerox e encadernações do suspeito. Eles eram encaminhados com o pretexto de exame adimissional ou de rotina. Lá ficou comprovado que três meninos apresentavam resultado positivo para sífilis que contraíram do indivíduo”, relatou o delegado ao afirmar que apesar de L.F.C. de 55 anos, ter se livrado da justiça por duas vezes, não deixou de ser investigando pela polícia.
Ademir Tadeu contou que quatro adolescentes prestaram declarações idênticas confirmando os abusos sexuais sofridos desde os 14 anos. De acordo com eles, as relações aconteciam em dias alternados no andar térreo da casa do investigado, onde funciona a empresa de encadernações no bairro Santa Tereza. Ele contratava os meninos como menor aprendiz e, em seguida os assediava com promessa de pagamento, manutenção do emprego, ou aumento salarial.
Para o delegado, não resta dúvida com relação ao abuso, tanto que o juiz da Comarca acatou o pedido de prisão preventiva e a busca na casa do individuo, onde foram encontrados um revólver e uma espingarda com farta munição que serviam de intimidação. Os meninos, de famílias humildes que precisam do emprego, acabavam cedendo à pressão do patrão pelo poder de mando, pois do contrário seriam demitidos. Um dos adolescentes chegou a revelar que o acusado se utilizava de ameaças para manter o sigilo das relações. “Ele disse a um dos jovens que tinha contratado uma pessoa para matar o responsável por ele, caso relatasse alguma coisa do que acontecia, e as armas apreendidas comprovam que os meninos temiam por isso”.
Ainda segundo o delegado, os exames confirmaram que L.F.C. tem sífilis e que certamente transmitiu para os adolescentes, pois as relações eram realizadas sem o uso de preservativo. “Ele começou a se utilizar de preservativos após os exames, mas não revelou o resultado aos menores que ainda não sabiam ter contraído a doença”.
O delegado que qualifica o crime como hediondo e nojento, afirma que a autoria ficou comprovada, pois as provas são contundentes. “Espero que com a soma das penas este cidadão fique por um longo tempo longe da sociedade que não deve conviver com esse tipo de pessoa. Na verdade um cidadão desses deveria ser esterilizado, mas como nossa lei não permite, ele tem que ser tratado”, lamentou.
Laboratórios – “A investigação está apenas começando. Vamos investigar como eles foram parar no laboratório, que tipo de medicamentos receberam, quantos laboratórios estão envolvidos, quem eram os parceiros, e se existe uma rede de pedofilia na cidade”.
Investigações – Por enquanto a polícia identificou oito adolescentes, mas espera que os demais que foram abusados se sintam a vontade para denunciar. “Somos profissionais da segurança e oferecemos sigilo absoluto. As vítimas não devem temer por nada”, garantiu Ademir Tadeu de Oliveira.
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