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CNBB alerta para retrocessos éticos e fragilização da democracia no Brasil

Publicado em 02/01/2026 ás11:32

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) manifestou “grave preocupação” com retrocessos no campo da ética, da democracia e do cuidado com os pobres no país. A avaliação consta na Carta de Ano-Novo das lideranças católicas, publicada na última segunda-feira (29), que faz um balanço crítico do cenário nacional em 2025.

Sobre a democracia, a entidade afirma que o ano foi marcado por “profundas tensões e retrocessos sociais”, que deixaram feridas no tecido social e fragilizaram a confiança nas instituições. Segundo a CNBB, essas experiências desafiaram pessoas comprometidas com uma sociedade mais justa e fraterna.

A conferência reforça que a democracia é um “patrimônio do povo brasileiro” e que exige cuidado permanente, diálogo e respeito aos freios e contrapesos institucionais. Mesmo reconhecendo suas imperfeições, os bispos destacam que ela é um espaço essencial para que a justiça e a verdade floresçam. A entidade defende que o país reencontre o caminho da pacificação, do diálogo e do respeito mútuo.

No eixo ético, a CNBB aponta que a convivência democrática foi prejudicada por interesses econômicos e disputas de poder que enfraqueceram mecanismos de controle. O documento denuncia a perda de decoro e a falta de responsabilidade de algumas autoridades, especialmente no Congresso Nacional, além do enfraquecimento da ética pública e do aumento da corrupção.

Entre os pontos críticos elencados estão a fragilização de mecanismos democráticos, a flexibilização de marcos legais como a Lei da Ficha Limpa e a Lei Geral do Licenciamento Ambiental, além de ameaças à proteção ambiental e aos povos originários e tradicionais, com destaque para a aprovação do marco temporal no Congresso. A carta também condena o discurso de ódio, a manipulação da verdade e o aumento da violência, especialmente crimes como o feminicídio.

A CNBB ainda critica o peso do pagamento de juros e amortizações da dívida pública, que limita investimentos em áreas essenciais como educação, saúde, moradia e segurança, além da persistência da desigualdade social, do avanço do uso de drogas e do crescimento das chamadas “economias ilícitas”.

Apesar das críticas, a entidade reconhece avanços registrados em 2025. No campo social, destaca o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), com o aumento da taxa de médicos por habitante. Na área econômica, valoriza a queda do desemprego, a estabilidade da inflação e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), além da retirada de tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros e da abertura de novos mercados internacionais.

No setor ambiental, os bispos ressaltam o protagonismo do Brasil em energias renováveis e a realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, como sinais do compromisso com o cuidado da Casa Comum e o enfrentamento da crise climática. Também são citadas como experiências positivas a taxação de grandes fortunas e a mobilização popular em torno da redução da jornada de trabalho, com a realização de um plebiscito popular sobre a escala 6x1.

Como conferência que reúne os bispos da Igreja Católica no Brasil, a CNBB reafirma sua posição contrária à legalização do aborto e defende a sacralidade da vida desde a concepção até o fim natural. Ao mesmo tempo, amplia o conceito de defesa da vida ao destacar a necessidade de combater a fome, a miséria e a desigualdade, criando condições para que todos tenham vida em abundância.

A carta encerra com referências ao sonho de dom Helder Câmara e a versos do poeta Thiago de Mello, reforçando a esperança como força transformadora para 2026, mesmo diante das dificuldades atuais. O documento é assinado pelo presidente da CNBB, dom Jaime Cardeal Spengler; pelo 1º vice-presidente, dom João Justino de Medeiros Silva; pelo 2º vice-presidente, dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa; e pelo secretário-geral da entidade, dom Ricardo Hoepers.

Fonte: Agência Brasil

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