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Sindicato cobra agilidade nas investigações sobre o Grupo RBS

Publicado em 02/04/2015 ás21:00

Reprodução internet

Foto: Reprodução internet

O Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul, se manifestou nesta quinta-feira (02/04) sobre as investigações que envolvem o Grupo RBS na “Operação Zelotes” da Polícia Federal. O Grupo está na lista das empresas que estão sob investigação por suspeita de que tenham negociado ou pago propina para “apagar débitos” com a Receita Federal.

Nota Oficial

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), juntamente com os sindicatos dos Jornalistas de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, solicitam publicamente às autoridades competentes transparência e agilidade nas investigações da “Operação Zelotes”, que apura o envolvimento do Grupo RBS, entre outros, num possível esquema envolvendo débitos tributários, a partir de um suposto pagamento de propinas a integrantes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), conforme revelou a Polícia Federal.

A justiça brasileira, tão empenhada, ultimamente, em dar total acesso aos depoimentos de réus confessos no caso da “Operação Lava Jato”, precisa adotar procedimentos iguais a todos os casos de corrupção, sob pena de estabelecer dois pesos e duas medidas. O caso vai muito além de uma provável sonegação de impostos. As empresas investigadas, entre elas o Grupo RBS, podem responder pelos crimes de Advocacia Administrativa Fazendária, Tráfico de Influência, Corrupção Passiva, Corrupção Ativa, Associação Criminosa, Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro.

A Rede Brasil Sul (RBS), subsidiária da Rede Globo, tem um longo histórico de condenações na Justiça do Trabalho por não respeitar os direitos de seus empregados, com jornadas abusivas, não pagamento de horas-extras, enquadramento irregular de profissionais e descumprimento de cláusulas de acordos coletivos, além de pagar baixos salários e instaurar um clima constante de apreensão nas redações, com demissões frequentes.

O caso envolvendo a RBS não é uma exceção entre as empresas de comunicação. A Polícia Federal e uma CPI no Senado investigam o escândalo do HSBC (“SwissLeaks”), que aponta a existência de 8.667 nomes de brasileiros com contas na Suíça, muitas das quais não declaradas à Receita Federal. Entre os correntistas, constam proprietários e familiares dos grupos de comunicação Globo, Folha/UOL, Rede Bandeirantes, Gazeta Mercantil, Sistema Verdes Mares, Rede CBS de Rádios, Rádios Curitiba Ouro Verde FM, Grupo João Santos, Grupo Manchete, Rede Massa e Rede Transamérica, e outros. É muito suspeito que com uma das maiores e melhores redes bancárias do mundo, tantos brasileiros precisem fazer uso de contas secretas na Suíça.

Uma situação no mínimo constrangedora, mas acima de tudo reveladora sobre os interesses particulares dos donos dos veículos de comunicação. Ao mesmo tempo em que fazem discursos em favor da ética nos negócios e na sociedade, veem-se envolvidos em escândalos que não diferem daqueles que costumam denunciar com grande destaque, sem levar em consideração se as provas são frágeis ou se atendem a interesses de grupos, de classe ou de segmentos da sociedade mais interessados em obter vantagens políticas e financeiras.

Há muito tempo, inverteu-se, na mídia, o principal pilar de sustentação do Direito e da democracia. Para os donos da mídia, “todos são culpados até prova em contrário”. Isso demonstra, também, a necessidade inadiável da democratização da comunicação no país, a exemplo do que já existe em vários países, para que a sociedade não se torne refém de grupos empresariais que querem impor uma agenda particular, que nem sempre é baseada no interesse comum.

Os Sindicatos dos Jornalistas do RS e de SC e a Fenaj exigem, portanto, uma rigorosa investigação das operações Zelotes e SwissLeaks, com transparência, para que o povo brasileiro possa ter acesso à verdade, e para que a democracia não seja substituída, no Brasil, por uma midiocracia. 

No último sábado (28), o Grupo divulgou uma nota aos colaboradores e ao público:

A RBS desconhece a investigação e nega qualquer irregularidade em suas relações com a Receita Federal. Adicionalmente, a empresa transmite a todos os seus colaboradores e ao público a sua total tranquilidade quanto à lisura e à transparência dos procedimentos junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), bem como em todos os seus atos externos e internos em todas as áreas.

A RBS não foi procurada para fornecer qualquer informação sobre a suposta investigação e confia na atuação das instituições responsáveis pela apuração para o devido esclarecimento dos fatos, que, como sempre, seguirão tendo cobertura normal de nossos veículos.

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